Pervasive Computing – Estamos (quase) lá?

Assim como Jobs e Gates, acredito que o PC seja uma das ferramentas mais notáveis ​​já criadas pelo homem. Grandes invenções aprimoram-se com o tempo; elas não se perdem ou tão pouco são esquecidas. Muitas tarefas comuns da computação, tais como processamento de números, armazenamento e comunicação de dados, aos poucos foram transportadas, foram “engolidas” pela Internet.

Como resultado, hoje em dia um computador de baixíssimo custo – porém com acesso à Internet – pode ser tão valioso como um computador muito mais caro e poderoso em termos de processamento e recursos. Hoje, todo profissional que vive desse comercio ou simplesmente é um apaixonado por computadores tem a mesma percepção, de que o PC precisa de uma reformulação fundamental. Seu “redesenho” leva a um computador mais acessível, e muito importante, o comprador não deve pagar pelas funções de que não precisa ou não vai utilizar.

Desenvolvedores de novos produtos devem ter em mente que o objetivo principal desse computador será o de se conectar à Internet. É a Internet que agora define a computação. Quando você inicia seu projeto com esse pensamento, a mágica acontece. Equipamentos com preços e processamento elevados, além de softwares superdimensionados, não são mais relevantes. Hoje os computadores devem prover uma boa experiencia de internet aliada a baixo consumo de energia. Como lí outro dia na internet: existem soluções capazes de derrubar o consumo de energia, a ponto de fazer uma lampada de LED ficar envergonhada. A tecnologia está por aí, disponível. Acompanhamos nos últimos tempos o início da reinvenção da computação.

Não podemos negar que os tão desejados Tablets, e mesmo os cada vez mais completos Smartphones (modelos com “oito” núcleos estarão nas lojas muito em breve)vem tomando uma boa fatia do mercado dos antigos Desktops ou mesmo dos Notebooks. Isso é notório e inegável. Provavelmente estamos vendo o inicio do fim desses produtos, pelo menos como os conhecemos hoje. O mesmo acontece com os sistemas operacionais, cada vez mais enxutos e dedicados. Vejam o caso do poderoso IOS da Apple, e do surpreendente Android da Google. Cabe um comentário extra sobre o Android. Um S.O. criado por uma empresa de Internet, para um mundo cada vez mais dependente da rede mundial. Hoje vemos aplicativos (Apps) compactos e poderosos, e acima de tudo, interessantes e práticos, sem falar que muitos são gratuitos ou de valores irrisórios; programas ou melhor, “apps”, desenhados para a geração atual e cada vez mais dependente da Internet.

Lembrando que estamos falando de um S.O. com menos de 3 anos de existência! O mundo das Plataformas Computacionais – hoje em dia acho que essa é a melhor definição para a sigla “PC” – de uso pessoal, está em ebulição. Ninguém arrisca, hoje em dia, prever como será esse mercado em 5 anos. Só podemos dizer com certeza que será muito diferente do que vemos hoje. E o mercado das Plataformas Computacionais para uso profissional? Os Computadores Industriais e os Players de Digital Signage, para citar somente alguns, onde estarão daqui a 5 anos? Seguirão o mesmo caminho? É difícil afirmar, mas é fato que não ficarão ilesos a toda essa mudança. Há alguns anos, era muito raro encontrar PCs no Chão-de-Fábrica. Esse era dominado pelos chamados “CLPs” (Controlador Lógico Programável); equipamentos robustos, confiáveis, que exigiam linguagem de programação dedicada, nem sempre de simples aplicação.

Hoje, esses CLPs não foram exatamente substituídos pelos PCs, mas estão “absorvendo” essa plataforma. Cada vez mais, os novos CLPs são baseados na arquitetura PCs, utilizando processadores e dispositivos de entrada/saída do “mundo” PC. Outro sinal, é o uso cada vez maior do protocolo TCP/IP como interface com sensores e atuadores nas indústrias. Olhando de uma forma fria, estão claros os sinais que o “bichinho” da Internet está entrando, invadindo sem pedir permissão, o chão-de-fábrica. Acho que em pouco tempo, veremos dispositivos leves, simples, executando “Apps” ao invés de sofisticados “Programas Supervisórios”, como são conhecidos hoje os softwares utilizados no chão-de-fábrica para gerenciamento e controle do processo. E também, todos os dispositivos, sensores, atuadores, estarão de alguma forma conectado a uma grande e única rede de comunicação. Isso não vai demorar. Está a passos largos.

E quanto aos chamados “Players de Digital Signage”? Nesse mercado, a absorção será ainda mais veloz e voraz. O mercado de Midia OOH (Out Of Home) vive uma eterna busca ao “Pervasive”, o “estar sempre presente”, chegando a ser um tanto “invasivo” em nossas vidas. Isso é questão de sobrevivencia da idéia, do conceito. Nesse mercado, plataformas leves, eficientes e baratas, são o desejo de consumo de todos que atuam provendo soluções em MOOH. Um “Player” capaz de executar de forma precisa, correta, com qualidade de imagem e som adequadas a necessidade do ambiente, é o que se procura na maioria das aplicações. Claro, existem aplicações exigentes, como processamento de imagem em tempo real para medir e reconhecer o público e escolher a melhor midia para aquele local, momento ou público; geoposicionamento e midia geo-referenciada; reconhecimento de voz, movimento e presença. Aplicações sofisticadas (e interessantes) como essas, exigem mais do “player”. Mas em sua grande maioria, o mercado de Digital Signage procura simplesmente qualidade de vídeo e som, aliado a escolha de uma tela do tamanho, posição e instalação adequados para impactar seu público da forma mais eficiente possível. Para essa grande maioria, “Players” com desempenho suficiente, de baixo consumo de energia e geração de calor, o mais compacto possível e conectados – seja via WiFi, LAN ou 3G – é o desejo de consumo de todos. Vejo claramente aqui, outro mercado promissor para as Plataformas Computacionais baseadas em processadores RISC e Sistema Operacional Android.

Grandes articuladores desse marcado já enxergaram essa mudança e estão portando seus “programas” para “Apps”, visando aproveitar essa onda. Desenvolvedores dos chamados “Softwares de Gestão de Midia” estão buscando soluções baseadas cada vez mais na rede, e menos dependente de processadores poderosos e grandes quantidades de memória, que além de seu preço, são também vilões do consumo de energia e geradores de calor – inimigos em qualquer aplicação profissioal. A pergunta aquí não é “se” e sim “quando”. E a reposta é: Agora! Esse “mundo” de Plataformas Computacionais de baixo consumo, compactas, de bom desempenho e acima de tudo “conectadas”, já está aquí, presente em nossas vidas, se tornando cada vez mais onipresente. O S.O. Android está conseguindo o que o Linux não conseguiu no fim do século passado início desse; tornar-se “pervasive”.

Previa-se que todos os dispositivos, desde um simples liquidificador até um carro, passando por abatjours e aparelhos de ar-condicionado, carregassem um pequeno processador, conectado através de uma rede (X-10, WiFi, Ethernet, Zigbee, etc) ao computador da residência ou da empresa. O Android, nascido em outra época e já no mundo da Internet onipresente, tem a oportunidade e senão, o “dever” de conseguir o que o Linux não conseguiu. É o que chamávamos de “Pervasive Computing”. Isso hoje é real. Vemos isso acontecer a passos largos. E estamos ansiosos por isso! É complicado arriscar, mas minha previsão para o mercado de Plataformas Computacionais nos próximos anos é simples: Obviamente, viveremos num mundo cada vez mais conectado, o Android estará presente em diversos objetos e equipamentos de uso pessoal e também coletivo, como Carros, Relógios, TVs, Geladeiras, Ar-Condicionado e Máquinas Fotográficas, e todos esses dispositivos estarão conectados a grande rede mundial de computadores (Internet), seja para trocar ou para buscar informações.

Plataformas baseadas no modelo RISC (baixo consumo e instruções básicas) dominarão esse mercado de “Pervasive Computing” devido ao seu baixo consumo de energia (novos processadores x86 de baixo consumo que estão por vir podem mudar um pouco esse cenário) e a interface com esses dispositivos será cada vez mais intuitiva, através de comando de voz e gestos. Não preciso ser nenhum guru para escrever o que coloquei acima; está claro e notório que o mundo da computação, como a conhecemos, está mudando e não vai parar de mudar. E isso é empolgante. Que cheguem logo o iphone10, Galaxy XI e iPad15 !

Carlos Alberto Farineli Carlos Alberto Farineli é Diretor de Inovação da Orion PC. Formado em Engenharia Elétrica pela Escola de Engenharia Mauá com MBA em Conhecimento, Tecnologia Inovação pela USP.